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Vontade de sentido


Viktor Frankl foi um dos psiquiatras existencialistas mais destacados do século XX. Sua Logoterapia é uma resposta não apenas aos seus anseios como também aos dilemas de um século atravessado pela (aparente) perda de sentido causada por duas guerras, holocaustos e genocídios sistemáticos. O século da democracia foi marcado por ditaduras que sustentavam o discurso da liberdade.

A visão de homem da Logoterapia se sustenta em três pilares: A) liberdade de vontade, essa se opõe aos determinismos que acreditam saber o que é o certo. B) Vontade de prazer, que Frankl insiste que não foi inspiração freudiana, mas referência à vontade de potência de Nietzsche. C) sentido da vida, esse terceiro pilar se opõe ao relativismo e ao subjetivismo, contra os quais Frankl afirma sempre haver um sentido na vida.

Frankl pensou também em uma terapia que atendesse o homem em sua humanidade e totalidade. Desta forma a Logoterapia serve para tratar neuroses somatogênicas (Frankl defendia que certas enfermidades psiquícas possuem etiologia orgânica, em tais casos usava farmacologia, aliás, Frankl afirma ter ele mesmo produzido o primeiro ansiolítico da Europa), neuroses psicogênicas (as tradicionais já analisada por outras abordagens psicoterapêuticas) e neuroses noogênicas.

Os escritos de Frnkl são marcados por referências a Freud, não se folheia dez páginas sem uma afinetada a Freud, que Frankl considerava um gênio. Porém, Frankl cita como suas maiores referências: Max Scheler e Heidegger. Foi o primeiro humanista que vi criticar Buber, que Frankl considerava, juntamente com Ferdinand Ebner dois importantes teóricos por terem explorado o eu-tu, mas, incompletos por não irem à autotranscendência.

Ler Frankl é ter o prazer de conhecer um mestre da psiquiatria expondo suas ideias, críticas e relatos pessoais. Durante um tempo Frankl chamou a Logoterapia de análise existencial ou ontoanálise, mas deixou de fazê-lo para que não a confundissem com a daseinanalyse de Binswanger. Frankl acreditava que esta livrava o cliente da surdez enquanto a logoterapia o curava da cegueira. Ler Frankl é também uma oportunidade histórica de revisitar autores antológicos (como Aldler ou Gordon Allport), que embora hoje possam estar esquecidos foram fundamentais para o desenvolvimento do campo PSI.

FRANKL, Viktor. A vontade de sentido: fundamentos e aplicações da Logoterapia. — São Paulo: Paulos, 2011.

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